gavetas e janelas


Cydney Conger

Era pequeno e
úmido o segredo

 

Guardei-o no aquário
em meio a conchas
de mentira e peixes
coloridos

 

(Era preciso manter-lhe
a essência da fluidez)

 

Via-o pela manhã, ao
jogar o farelo com
cheiro de mar

 

(Ah, quantos artifícios
podem habitar num aquário!)

 

E juro, juro que
pensei em salvá-lo!

 

(Ainda que, para isso,
deixasse de ser um segredo)

 

Mas antes que pudesse

resgatá-lo da inércia,

tragou-o as algas de plástico

 

-- E nada mais tenho para te contar.

 



Escrito por Vássia Silveira às 10h03
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Toni Frissel

Homens do Mar

Ela sentou-se e começou a falar de um barco. Trazia agarrada às mãos o novo namorado, um pescador que tinha conhecido há cerca de um mês, quando comprava peixe na praia para um jantar que daria aos amigos. Da areia, apontava para o oceano e dizia que seu sonho era comprar o tal barco e navegar sem destino por aquelas águas...

Esta crônica continua no Mínimo Múltiplo



Escrito por Vássia Silveira às 12h35
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Depois de ferir a carne
e ver escorrer meu sangue,
descobri que a lambida
do demônio -- que me torce
o pescoço no pesadelo --
é menos nociva que a tua frase
de efeito e o teu beijo roubado.



Escrito por Vássia Silveira às 15h48
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