Sob a minha janela, o tempo:
uma chuva antiga reflete nas
poças da calçada vestígios da
velha boneca, das tranças que
nunca tive, das bolas no vestido.
Vejo o lodo escuro nas paredes
da casa - quantas chuvas o terão feito?-
e relembro, nas pedrinhas levadas
pela água, as brincadeiras de outrora,
o primeiro beijo fazendo tremer
as pernas, a correria alegre
entre os bancos da praça,
do jardim, da grama...
Vem, menina!
Ah, como queria alcançá-la,
encharcando-me...
Mas os vestígios da moça
sem trança e boneca,
desfizeram-se úmidos:
E já quase sem chuva,
sob a janela,
o tempo desapareceu
nos olhos de minhas meninas.