
Pink Floyd, The Wall
Com as garras cravadas nas paredes da madrugada despediu-se, de mim, o sono tranqüilo.
Escrito por Vássia Silveira às 21h23
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Caravaggio
Era um segredo - antes de tudo, um segredo nosso - que o vento encontrou ao abrir a porta...
Escrito por Vássia Silveira às 18h22
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Disse-me o mar que a noite era uma ilusão, um piscar de olhos prolongado
Um bocejo largo pressionando as pálpebras, adormecendo o pulso, a fome e a inquietação.
Disse-me o mar que as ondas, sempre tão brincalhonas, gostavam de espalhar mentiras na areia enquanto roubavam das conchas segredos jamais revelados...
(E já quase exasperado de cócegas, nada mais me disse o mar)
Escrito por Vássia Silveira às 21h51
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Nestor Lampros
Na cadeira do canto da sala as raízes familiares mostravam folhagem escura.
Nos veios da madeira o choro contido das mulheres explodia em pátina fresca,
- tentativa inútil de esconder a submissão –
E nas pernas arqueadas equilibravam-se os casais, os filhos, os filhos dos filhos, os casais.
No forro creme do tecido grosso, a rudeza da lida tecia-se em fios coloridos
E dos pregos escondidos nos encaixes antigos ouviam-se os sussurros
da cadeira do canto da sala.
Escrito por Vássia Silveira às 15h44
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Fotografia de Eva Rubinstein
Nessa insignificância - que é a vida- , restou-me o chicote das palavras
E elas me ferem me rasgam me cortam e me cospem à cara
Antes de me largarem, vazia, no chão.
Escrito por Vássia Silveira às 01h15
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Fotografia de Karin Rosenthal
Como se possível fosse resistir ao encontro, eu me debatia
Me esgueirava entre os vãos que abrias e me arrastava para longe enquanto tuas mãos me puxavam
E escalava montanhas imaginárias onde do teu semblante restasse apenas sombra
Mas como é ínfimo o tempo, teus olhos-maresia pregaram o instante que deixei escapar:
E na areia dos teus braços, já cansada de navegar resistência, me deixei ficar
(fome-lusa pendurada nos cachos, nas pupilas esverdeadas de mar)
Escrito por Vássia Silveira às 19h38
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