Uma palavra silenciosa
fere a intenção do verso
É uma ausência de brisa,
uma sombra disfarçada
na grama, nas folhas que
há muito apodrecem no
jardim – sem que ninguém
ouse tocá-las.
Impossível soletrar seu verbo
de quietude, desvendar o véu
que encobre a face alva,
nudez dos sentimentos...
E ainda assim, desejo-a.
Como quem pede, na fome,
apenas um trago, um gole:
quero viver na sede
da palavra silenciosa.