gavetas e janelas




Fotografia de Vik Muniz


Há uma fúria crescendo silenciosa
sob o tapete da grama,
como uma turba de cupins que se
empenha em derrubar a última morada.

Sobre os muros, pés, mãos e calos –
semelhantes aos que trago na palma
 esquerda.

 Há o cansaço da despedida,
O gosto amargo das horas
trituradas por anjos distraídos
e um torvelinho de esperanças
guardadas sob uma caixa colorida
 – esquecida em algum lugar
cuja memória traiu. 

 



Escrito por Vássia Silveira às 14h38
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Fotografia retirada daqui


Acima dos vendavais,
o risco singelo do poeta diz:

Não há espera. O soluço foi
engolido pela boca da noite,
em espanto, em agonia.

Enquanto isso, nos edifícios,
janelas vazias, penduradas
na falsa concretude, espiam
a morte lenta de mais um ano. 

 



Escrito por Vássia Silveira às 23h51
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Pablo Picasso

 

 

E então acordei com esse aperto no peito, tristeza amarela
esparramada como nuvem na calçada das horas. Silêncio.
Eu sinto o silêncio. E também confusão, roncos de carros,
motos, aviões: Há uma rasga-mortalha riscando o céu nesse
instante. E lá longe, onde somente a imaginação alcança,
baila um bando de andorinhas.

 



Escrito por Vássia Silveira às 17h11
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Gustav Klimt

Sigo buscando
no verbo das lesmas
a escuridão

 



Escrito por Vássia Silveira às 11h56
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Egon Schiele


Hace un rato
habitaste
mi olvido:
vestías el blanco
de la bruma
y por tu pelo
se vio nacer el día.



Escrito por Vássia Silveira às 23h54
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Fernand Leger

Sino
seixo
soprando
o silêncio das nuvens,
tempestade.

 



Escrito por Vássia Silveira às 20h57
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Amedeo Modigliani

Mergulho no desejo silencioso
dos teus olhos,
campos de bruma onde se
encontra o hálito sagrado
de todos os devaneios.

Tua voz, no meu ouvido, sussurra:
Verrückt Verrückt Verrückt

 



Escrito por Vássia Silveira às 20h03
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Gustav Klimt


Querendo extirpar
da carne
a lembrança
do outro,
Amanheceu árvore.



Escrito por Vássia Silveira às 19h52
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Toulouse-Lautrec



Na luz tíbia pressinto
o roçar
suave das tuas asas
alargando-se
nesse silêncio morno
que antecede a queda

Voas para o abismo,
reconhecendo nele
a profundidade
das coisas não terrenas.



Escrito por Vássia Silveira às 18h49
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Gustav Klimt

Grávida de histórias e sonhos,
ela sustenta o mundo imaginário...
Deixe que caminhe.
Deixe que permaneça inocente,
alheia às sombras, demônios e
vermes que a acompanham.



Escrito por Vássia Silveira às 14h05
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Gustav Klimt

E do teu cheiro
não me recordo
além do éter

Assim também
o fel
das palavras insanas:
tua boca.

Não, tu não habitas os meus sonhos.

 



Escrito por Vássia Silveira às 16h45
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Picasso

Coleciono desejos,
sustentando abismos  
em céu indissolúvel.



Escrito por Vássia Silveira às 21h40
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Gustav Klimt

Sinto o perfume distante de sua sombra, essa mancha escura que penetra o vazio da noite grudando, nas paredes, a insônia. Meus lençóis usurpam a esperança quieta dos passos. E ferindo a impossibilidade, deixo-me rasgar inteira com fúria, fome, descaso. Há na carne um vazio de odores. Como se os dedos tivessem levado consigo, minha essência.



Escrito por Vássia Silveira às 14h11
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Salvador Dali

As chuvas
me arrastam
Deserto



Escrito por Vássia Silveira às 01h00
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Pintura de Nestor Lampros

Os sussurros do vento
me contam histórias antigas,

tão antigas quanto o sulco
que fere a face branca

de minha avó.

 

E as gotas úmidas do orvalho
me lembram as noites escuras,
o grito espantado e os
mistérios que dormem nas sombras
das grandes árvores.

 

Trago em mim a ancestralidade da floresta

 



Escrito por Vássia Silveira às 12h11
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